Nossa história nasceu da perseverança!
O amor nos encontrou no chão da escola. Talvez isso não seja nada incomum para dois professores, mas, conosco... Deus precisou trabalhar um pouco mais!
Conhecemo-nos no primeiro semestre de 2022, quando retornávamos à escola em um processo de “volta à normalidade”. Eu já fazia parte do quadro de profissionais daquela instituição, naquele campus; ele, da mesma instituição, mas em um campus diferente. Por inúmeros motivos, porém, conseguiu ser transferido para onde eu trabalhava. Mal sabíamos dos planos de Deus para nós...
Ele conta que, na primeira vez em que me viu, eu chegava pela manhã para trabalhar, sob um sol que realçava minha beleza e o deixou encantado com tanto brilho. Eu, por minha vez, passei e dei bom-dia, sem perceber exatamente com quem falava.
A vida seguiu por um ano inteiro, sem muita aproximação entre nós. Ele ficava na sala da coordenação; eu, na sala dos professores. Ele estava sempre olhando, enquanto eu permanecia muito reservada, concentrada e pouco interagia com aqueles que não faziam parte do meu círculo mais próximo.
Ele se lembra de que, na colação de grau dos alunos do 3º ano, em janeiro de 2023, ensaiou um convite para me levar para jantar. Eu, no entanto, participei da solenidade, tirei as fotos oficiais e saí à francesa. Ele nem percebeu que eu havia ido embora; quando foi me procurar, eu já era ausência.
Ainda naquele ano, ele passou a trabalhar na sala dos professores e tratou de buscar uma cadeira próxima à minha, pois assim seria mais fácil interagir. Rapidamente, passou a sentar-se ao meu lado, em uma mesa grande, na qual eu costumava conversar com a professora ao lado e com o professor à minha frente, enquanto me dividia entre o computador e o celular, sempre com inúmeras mensagens para responder.
Ele olhava, observava e tentava puxar assunto, mas em vão. Na verdade, eu vivia um tempo de reclusão. Nem mesmo que ele tivesse dito tudo com todas as letras teria surtido efeito. O tempo de Deus é diferente do nosso.
Passei muito tempo “fechada para balanço”, até que, no meu aniversário de 2023, celebrado de uma forma diferente, viajando, percebi que já não me fazia bem viver sozinha, sem compartilhar a vida com alguém. Passei a observar a mim mesma, a refletir e a rezar sobre tudo isso.
Conversei muito com Deus sobre minha vida e todos os caminhos por onde havia andado. Percebi que muita coisa precisava mudar, e a vida afetiva era uma delas.
Em agosto, decidi iniciar, pela primeira vez na vida, a Quaresma de São Miguel. Aquele período de quarenta dias seria, para mim, um tempo de limpeza, purificação, reflexão e renovação. E assim o fiz.
Já em processo de mudança, eu estava na mesma sala dos professores de sempre, respondendo às inúmeras mensagens de costume após as aulas, quando surgiu aquele professor que não gostava de almoçar sozinho e simplesmente perguntou:
— Professora, você já almoçou?
Respondi que não, pois estava respondendo às mensagens no WhatsApp. Ele rapidamente disse:
— Pois vamos almoçar comigo! Não gosto de comer sozinho.
E eu, movida por algo que não sei explicar, respondi:
— Sim, vamos!
Foi naquele almoço que meus olhos se abriram. Sentei-me de frente para aquele rapaz sorridente, de olhos claros, que conversava tão desenvoltamente comigo. Foi naquele momento que percebi que ele me olhava de maneira diferente e pensei: “Por que não?!”. Entreguei-me àquela conversa, e o horário do almoço passou voando.
No dia seguinte, o mesmo convite se repetiu, e eu novamente aceitei. Depois vieram as mensagens pelo WhatsApp, as conversas diárias e eu, firme na Quaresma, pedindo a Deus que libertasse meu coração e me permitisse amar e ser amada.
Terminei a Quaresma no dia 29 de setembro, participei da Santa Missa e entreguei a Deus aquele primeiro encontro, que aconteceria no dia seguinte.
Um verdadeiro cavalheiro veio buscar-me em casa — eu, a pessoa mais independente do mundo, que ama dirigir! Levou-me para jantar, conversou comigo abertamente e declarou suas verdadeiras intenções — tudo o que eu queria ouvir! — e roubou-me um beijo ao final da conversa, um beijo que, na verdade, eu já esperava ansiosamente.
E foi assim que começamos nossa linda história de amor!